Ao longo da minha experiência pessoal e profissional, aprendi que as competências interpessoais são fundamentais para construir relações saudáveis e produtivas. Uma experiência particular demonstra bem a importância dessas competências.
Há alguns anos, eu trabalhava numa empresa de recursos humanos e fui designado para liderar um projeto desafiador. Uma das integrantes da equipa, Ana, expressava constantemente a insatisfação e criticava o trabalho dos colegas. Inicialmente, a minha reação foi de frustração e desejo de evitá-la. No entanto, lembrei-me dos princípios da escuta ativa e da empatia e decidi abordar a situação de uma outra maneira.
A escuta ativa, conforme descrita por Miller e Rollnick (2012) envolve não apenas ouvir as palavras, mas também prestar atenção ao tom, à linguagem corporal e ao que não está ser dito explicitamente. Marquei uma reunião individual com a Ana e pratiquei a escuta ativa intencionalmente.
Durante a nossa conversa, mantive contato visual, usei expressões faciais que demonstravam interesse e ocasionalmente parafraseava o que Ana dizia para garantir que estava a compreender corretamente. Percebi que, por trás das críticas, havia uma profunda insegurança sobre as suas próprias competências e o medo de falhar no projeto.
Neste momento, a empatia tornou-se muito importante, pois permitiu-me perceber o contexto. A empatia, segundo os investigadores Decety e Jackson (2004), envolve três componentes principais: uma resposta afetiva partilhada, a capacidade de distinguir entre o eu e o outro, e a flexibilidade mental para adotar a perspectiva do outro. Eu disse a Ana: “Parece que estás preocupada com o sucesso do projeto e talvez te sintas pressionada para ter um desempenho perfeito. Isso deve ser muito stressante.”
Os olhos de Ana encheram-se de lágrimas, e ela consentiu. Confirmou que eu a compreendia. Ela começou a abrir-se mais sobre as suas inseguranças e medos.
Aqui, a compaixão entrou em jogo. A compaixão, conforme definida por Gilbert (2009) envolve a sensibilidade ao sofrimento em si mesmo e nos outros, com um compromisso de tentar aliviar e prevenir esse sofrimento. Partilhei com a Ana algumas das minhas próprias experiências de insegurança e como aprendi a lidar com elas.
No entanto, também foi importante estabelecer limites claros. A assertividade, um importante componente das habilidades sociais (Alberti & Emmons, 2017), permitiu-me expressar a empatia e oferecer apoio, ao mesmo tempo em que deixava claro que o comportamento crítico de Ana não era aceitável e estava a afetar negativamente a equipa.
Então eu lhe disse: “Compreendo os teus medos e as tuas preocupações, e quero apoia-te. No entanto, precisamos de encontrar uma maneira mais construtiva de expressar essas tuas preocupações. As críticas constantes estão a afetar a moral da equipa.”
Esta abordagem intercalada com a escuta ativa, empatia, compaixão e assertividade, levou a uma mudança significativa. A Ana sentiu-se compreendida e apoiada, mas também compreendeu o impacto do seu comportamento. Em conjunto, desenvolvemos estratégias para que ela pudesse expressar as suas preocupações de maneira mais construtiva e trabalhar na sua autoconfiança.
Para isso, é necessário estabelecer uma confiança. Conforme Lewicki e Wiethoff (2000) argumentam, a confiança é construída através de interações positivas consistentes ao longo do tempo. Ao praticar a escuta ativa, demonstrar empatia e compaixão, e estabelecer limites claros, criamos um ambiente onde a confiança pode florescer e a produtividade aumentar.
É importante salientar que estas competÊncias requerem prática constante e autorreflexão. Kabat-Zinn (2003) enfatiza a importância da atenção plena (mindfulness) no desenvolvimento de habilidades interpessoais. Praticar mindfulness ajudou-me imenso a estar mais presente nas interações, mais consciente dos meus próprios pensamentos e emoções, e mais capaz de responder em vez de reagir automaticamente. Por isso é que vos estou a escrever esta minha experiência.
Claro que houve momentos em que falhei, como quando não percebi que um colega estava a passar por problemas pessoais porque estava muito focado em cumprir prazos. Essa experiência ensinou-me a importância de equilibrar as nossas decisões com a devida atenção às necessidades emocionais das pessoas ao meu redor.
Em suma, as competências interpessoais de excelência, como a escuta ativa, a empatia, a compaixão e o estabelecimento de limites saudáveis, são ferramentas poderosas que nos permitem navegar com mais sucesso pelo complexo mundo das relações humanas. Elas ajudam-nos a compreender as verdadeiras intenções dos outros, a responder de maneira adequada e a criar um ambiente de confiança e respeito mútuo.
Como disse Brené Brown (2012), “A vulnerabilidade é a base da inovação, criatividade e mudança.” Ao cultivarmos estas competências, permitimo-nos ser vulneráveis de maneira saudável e criar espaço para um envolvimento mais autêntico e também um crescimento pessoal e profissional.
Deixo-vos um video explicativo sobre a empatia da Brené Brown:
By Jonas Ferreira
Respostas de 2 a “Escuta ativa”
[…] aprendi a estabelecer limites saudáveis, a valorizar as minhas próprias necessidades e a entender que dizer “não” não […]
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[…] Através das vendas, fui impulsionado a mergulhar no universo dos negócios e das empresas. As vendas são a linha de frente das interações comerciais, onde o sucesso depende diretamente da capacidade de criar um envolvimento significativo e transmitir valor. Como menciona Carnegie (1936), “80% do sucesso pode ser atribuído a competências de comunicação”. Esta máxima tem guiado a minha abordagem e permite-me lembrar constantemente da importância de escutar ativamente e falar com clareza e convicção. […]
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