E5 – Amigo de infância

Pedro acorda com mais um sonho fresco na memória. Desta vez, sonhou que podia voltar a ser quem era genuinamente. No sonho, ele pintava as unhas com cores vibrantes, delineava os olhos com um eyeliner preto que realçava a sua expressão. Andava mais confiante e exibia uma postura segura e decidida. As suas amigas, Sofia e Carla, estavam lá para apoiá-lo com sorrisos calorosos:

— Pedro, estás incrível! Nunca deixes que ninguém te faça sentir menos do que és — disse Sofia, com os olhos a brilhar de orgulho.

— Somos os teus amigos e estamos aqui para apoiar-te, não importa o que aconteça — acrescentou Carla, a segurar a mão dele com carinho.

Pedro levanta-se da cama com essas imagens ainda a rodopiar na mente. Liga a televisão e imediatamente, a mãe entra no quarto com um tabuleiro de pequeno-almoço. O tabuleiro está cheio de coisas boas: torradas quentes, compota de morango, sumo de laranja fresco e um copo de leite.

— Bom dia, Pedro! Preparei o teu pequeno-almoço favorito — disse a mãe, com um sorriso gentil e a colocar o tabuleiro na mesa ao lado da cama.

Pedro sorriu de volta.

É Sábado.

O que significa que não havia aulas. Ele tem natação todas as semanas. Pedro gosta desses dias, pois era tempo que passava com o seu amigo de infância, Rodrigo. As mães dos dois eram amigas de longa data e adoram ir para o café falar e bajular os feitos dos filhos.

Para Pedro, Rodrigo era um amigo leal. Confiava nele plenamente, e os dois partilhavam uma amizade sincera e profunda. Lembrava-se das inúmeras brincadeiras que tinham juntos: a luta livre no tapete da sala, onde ambos fingiam ser lutadores profissionais, e as infindáveis sessões de escondidas no quintal, onde cada canto e recanto transformava-se num esconderijo estratégico.

— Encontraste-me! — gritava Pedro, a rir-se, enquanto Rodrigo surgia do esconderijo triunfante.

— Sabia que estavas aí! — respondia Rodrigo, com um sorriso maroto, os olhos cintilantes de entusiasmo.

Durante as brincadeiras, a expressão de Pedro era de pura alegria e despreocupação. Sentia-se livre e feliz a saber que podia contar com Rodrigo para qualquer aventura. Rodrigo era um amigo verdadeiro, e essa amizade era uma das âncoras na sua vida, mais um refúgio onde ele podia sentir completamente aceite e compreendido.

Pedro termina o pequeno-almoço.

Agradece à mãe e prepara-se para sair.

Veste o seu fato de banho e coloca uma toalha na mochila. Está ansioso para mais um dia de natação. Poderia partilhar risos e confidências com Rodrigo, longe dos julgamentos e das expectativas que muitas vezes sentia em casa e na escola.

Ao sair de casa, Pedro sente o calor do sol no rosto e sorri. Apesar dos desafios e das incompreensões, tinha momentos preciosos e pessoas especiais na vida que o ajudavam a seguir em frente. E com essa força interior, Pedro está determinado a encontrar o caminho e a ser verdadeiro consigo mesmo.

Um passo de cada vez.

Pedro ajusta nervosamente o elástico de sunga enquanto olha para o reflexo no espelho do vestiário. Os olhos percorreram o corpo a notar cada imperfeição que ele imagina ter. Suspira profundamente e reune coragem para sair.

— “Ei, Pedro! Vamos lá, a aula já vai começar!”, chama Rodrigo, a bater na porta do balneário.

Pedro respira fundo mais uma vez. “Já vou!”, responde numa voz ligeiramente trémula.

Ao sair, encontra Rodrigo a sorrir para ele. “Tudo bem?”, pergunta Rodrigo com a expressão preocupada do amigo.

Pedro força um sorriso. “Sim, só um pouco nervoso.”

Rodrigo coloca a mão no ombro de Pedro. “Relaxa, vais sair te bem. Lembras-te do que o professor disse? Que melhoraste muito no crawl.”

Enquanto caminham para a piscina, Pedro sente o coração acelerar. O barulho da água e as vozes dos outros alunos ouviam-se por todo o espaço.

— “Rodrigo,” disse Pedro baixinho, “às vezes eu sinto-me tão… deslocado aqui. Como se não pertencesse.”

Rodrigo pára e olha nos olhos do amigo. “Pedro, pertences aqui tanto quanto qualquer um. Não deixes as inseguranças convencerem-te do contrário.”

Pedro sente um nó na garganta. “É que… olha pra ti. Pareces um atleta de verdade. Eu pareço… bem, eu.”

Rodrigo balança a cabeça. “Pedro, olha. Cada corpo é único. O importante é como te sentes na água, como nadas. É nisso, e és incrível.”

As palavras de Rodrigo aquecem o coração de Pedro. Ele sabe que tinha sorte de ter um amigo assim.

— “Obrigado, Rodrigo. Não sei o que faria sem ti aqui.”

Rodrigo sorri. “Somos uma equipa , lembraste? Agora vamos lá mostrar pra essa piscina do que somos capazes!”

Enquanto se dirigem para as raias, Pedro sente a confiança a crescer. Ele ainda tem as inseguranças, mas com um amigo como Rodrigo ao seu lado, sente que pode enfrentar qualquer desafio.

Caro leitor, obrigado por continuar a ler os meus contos

Todas as sextas-feiras irei publicar um pequeno excerto do conto aqui no meu blog.

By Jonas Ferreira


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